Envolvente Externa

A análise da conjuntura macroeconómica e do impacto da mesma na atividade da SATA é efetuada ao nível dos vários mercados onde a SATA atua: ao nível internacional (com especial enfoque nos mercados americano, canadiano e europeu), nacional e regional.

 

Internacional Nacional Região Autónoma dos Açores

Conjuntura Internacional

O ambiente macroeconómico mundial em 2012 caraterizou-se por uma recuperação moderada face a 2011, como evidencia a tabela abaixo, em linha com as tendências económicas verificadas nos dois últimos anos. De acordo com as previsões do Fundo Monetário Internacional (FMI), o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) mundial em 2012 situou-se nos 3,3%, menos 0,5 p.p. do que em 2010. O abrandamento da atividade económica deveu-se sobretudo à manutenção de elevados níveis de incerteza que se manifestaram ao nível da volatilidade dos mercados financeiros e na perda de confiança dos agentes económicos que, por sua vez, adiaram as suas decisões de consumo e investimento, retardando a recuperação económica à escala global. Contudo, importa referir que o elevado grau de incerteza afetou de forma diferenciada o desempenho dos diferentes países, sendo particularmente adverso nos casos em que decorrem processos de ajustamento dos desequilíbrios macroeconómicos internos e externos, como acontece nas economias intervencionadas. Também nas economias emergentes foi possível verificar uma desaceleração da atividade económica, especialmente acentuada nas economias da Europa Central e de Leste, mais expostas aos riscos da área do euro por via das relações comerciais e financeiras, mas também na China e no Brasil. As estimativas do FMI apontam, ainda assim, para um crescimento acentuado do PIB destas economias (5,3% em 2012, face a 6,2% em 2011), contribuindo positivamente para a dinamização da economia global.

PIB | taxa de variação em % 2010 2011 2012 2013 | Previsão
Economia Mundial 5,1 3,8 3,3 3,6
Economias Avançadas 3 1,6 13 1,5
EUA 2,4 1,8 2,2 12,1
Canadá 3,2 2,4 1,9 2
Área do Euro 2 1,4 -0,4 0,2
Reino Unido 1,8 0,8 -0,4 1,1
Economias de mercado emergentes e em desenvolvimento, das quais: 7,4 6,2 5,3 5,6
China 10,4 9,2 7,8 8,2
Brasil 7,5 2,7 1,5 4
Fonte: FMI, World Economic Outlook, Outubro 2012
Estados Unidos e Canadá
Os Estados Unidos exibiram uma tendência de crescimento superior à registada em 2011 (2,2% em 2012 face a 1,8% em 2011), em virtude da estabilização do mercado imobiliário, expansão do crédito privado e diminuição do nível de desemprego. Porém, importa referir que o elevado nível de incerteza presente também nesta economia se encontra maioritariamente relacionado com a necessidade de consolidação fiscal. No Canadá, assistimos a uma recuperação mais robusta, refletindo os efeitos das condições favoráveis de financiamento, a menor pressão proveniente da consolidação fiscal e o commodity boom. No entanto, o crescimento desta economia ficou limitado pela modesta recuperação da economia americana, um resultado da estreita relação económica e financeira destes dois países. As previsões do FMI para o ano de 2013 indicam um crescimento potencial das duas economias na ordem dos 2%, em linha com os valores apresentados em 2012.

Zona Euro
Para a zona euro, o ano 2012 ficou marcado pelo declínio da atividade económica, com uma taxa de variação negativa do PIB na ordem dos 0.4 p.p. Para tal contribuiu a incerteza relativa à capacidade de alguns países, especialmente da periferia, em cumprir as reformas fiscais e estruturais requeridas e à predisposição das autoridades nacionais para implementar as políticas adequadas ao combate da crise da dívida soberana, a procura externa debilitada e o elevado preço das commodities. A adopção de políticas fiscais contracionistas pela generalidade dos países da área euro permitiu a diminuição do défice em 1 ponto percentual, situando-se em 3,2% do PIB da zona euro. Todavia, a manutenção da fragilidade dos mercados financeiros provocada pela crise das dívidas soberanas contribuiu para a permanência de elevadas taxas de juro das obrigações do tesouro de alguns países da área euro. O clima de incerteza vivido nesta região contribuiu para o crescimento das taxas de desemprego que atingiram, em 2012, os 11,5%. O nível de preços, por sua vez, registou uma tendência decrescente, situando-se nos 2,5% em 2012. Parte deste declínio é explicado pela desaceleração da atividade económica a nível global, que provocou um decréscimo do preço das non-energy commodities. O preço do petróleo registou uma elevada volatilidade ao longo do ano, refletindo distúrbios do lado da oferta motivados pelas tensões geopolíticas no Médio Oriente. Assiste-se a uma valorização anual do preço do barril de brent fixando-se nos 108,5 dólares americanos no final de 2012. O FMI prevê uma reversão desta tendência para 2013. Nos mercados de câmbio internacionais assistiu-se, em 2012, a uma depreciação da taxa de câmbio nominal efetiva do Euro face às principais moedas, contribuindo para uma melhoria da competitividade da zona euro, que, por sua vez, impulsionou as exportações para países fora desta área.

Conjuntura Nacional

2012 ficou marcado pela continuação dos processos de correção dos desequilíbrios internos e externos da economia portuguesa, no contexto dos programas de auxílio económico e financeiro da Troika (União Europeia, Banco Central Europeu e FMI). O processo de consolidação orçamental, a manutenção de condições financeiras desfavoráveis e a deterioração dos níveis de confiança dos agentes económicos condicionaram o desempenho do país, conduzindo a um défice público de 5% e a uma contração da economia na ordem dos 3%. Em linha com a evolução da atividade económica, assiste-se a uma contração do consumo privado, que atinge os -5,8%. Esta tendência reflete a reação dos consumidores a inúmeras ocorrências, nomeadamente ao nível do seu rendimento disponível e ao grau de incerteza. O conjunto de medidas fiscais adotadas (suspensão de subsídios, aumento da tributação, etc.), o aumento do preço de certos bens e serviços, a deterioração estrutural da situação no mercado de trabalho e a restrição do acesso ao crédito conduziram à diminuição dos níveis de consumo e à constituição de poupanças por motivos de precaução por parte das famílias portuguesas. De igual modo, assiste-se a um aumento do desemprego, que atingiu no final do ano uma taxa de 15,8%. A taxa de inflação, por sua vez, situou-se nos 3,3%, valor superior ao verificado na zona euro. O setor exportador, contrariamente à generalidade dos indicadores, apresentou uma tendência de crescimento, embora a ritmos inferiores aos verificados em 2011 (6,3% em 2012, face aos 7,5% verificados em 2011). A desaceleração do crescimento das exportações teve por base a deterioração da atividade económica da área euro e no Reino Unido, que no seu conjunto representam aproximadamente 75% do total das exportações.

PIB | taxa de variação em % 2007 2008 2009 2010 2011 2012
PIB 2,4 0 -2,9 1,4 -1,7 -3
Consumo Privado 2,5 1,3 -2,3 2,1 -4 -5,8
Consumo Público 0,5 0,3 4,7 0,9 -3,8 -3,9
Formação Bruta de Capital Fixo 2,1 -0,1 -13,3 -3,6 -13,9 -14
Exportações 7,5 -0,1 -10,9 8,8 -7,5 6,3
Importações 5,5 2,3 -10 5,4 -5,3 -4,7
Fonte: Banco de Portugal, Boletim Económico, Outono 2012

Conjuntura Regional

De acordo com os dados publicados no último trimestre de 2012, a economia da Região Autónoma dos Açores foi estimulada sobretudo pelos resultados positivos provenientes da Agricultura, a julgar pelo leite entregue nas fábricas (aumento de 1,8% face ao ano anterior) e leite para consumo (aumento de 1% face ao ano anterior). Em sentido contrário, registou-se uma evolução negativa dos setores secundário e terciário, a avaliar pela diminuição da produção de energia elétrica, pelo mau desempenho do setor da construção (diminuição do número de edifícios licenciados e venda de cimento), pelo turismo e pela quebra nas vendas de automóveis novos. Em particular, avaliando o desempenho da atividade turística, verificou-se, em 2012, uma contração do número de dormidas nos estabelecimentos hoteleiros das ilhas na ordem dos 7,4%. Apresenta-se como principal causa a diminuição acentuada do número de dormidas por parte dos residentes em Portugal (diminuição de 15,7% face a 2011), mas também por parte dos residentes no estrangeiro (diminuição de 0,5% face a 2011). Como consequência, registou-se, em 2012, uma quebra de 10,1% face a 2011 nos proveitos provenientes do turismo, totalizando os 28,6 milhões de euros.